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Cada vez mais exigidas na sociedade moderna, essas habilidades já são pauta na rotina escolar



Quando chegamos à fase adulta, descobrimos que o ensino tradicional já não prepara mais os indivíduos para lidar com os desafios profissionais. Afinal, o mercado de trabalho mudou. Apesar da importância do português, da matemática, da história e da biologia, existem habilidades fundamentais na vida de qualquer pessoa, que o uso exclusivo dos livros didáticos n


ão consegue desenvolver. O que fazer então?


Atualmente, muitas escolas não apenas percebem a importância em desenvolver essas habilidades desde a primeira infância, como também trabalham ativamente para que esse aprendizado faça parte do dia a dia das crianças.


Habilidades como comunicação, liderança, tomada de decisões, autogestão e resolução de conflitos


são colocadas em prática nas atividades em sala, nos trabalhos em grupo e nas interações entre colegas e professores. Conheça alguns exemplos:


  • Organização do tempo e da rotina


Rotina e organização são palavras-chave no mundo moderno. Com todas as demandas e a pressão que envolvem o uso da tecnologia, cada vez mais o estabelecimento de uma rotina, de um senso de normalidade, se mostra fundamental como forma de prevenir a ansiedade e o sentimento de angústia e agitação que vem com ela.


Para as cria


nças, o estabelecimento de uma rotina é ainda mais importante, já que elas estão começando a aprender sobre responsabilidade e organização do próprio tempo. A escola tem um papel fundamental em estabelecer essa rotina, juntamente com a família.


Quando os alunos se acostumam a realizar uma atividade em determinado horário, eles já passam a esperar por aquele momento, e demonstram menor resistência em executar as tarefas, além de começarem a compreender a importância das regras.


Em matéria da revista Pais&Filhos, o psicólogo Breno Rosostolato afirma que o aprendizado das crianças


ocorre a partir da repetição. Criar a rotina ajuda a criança a organizar-se mentalmente, de forma que ela passa a elaborar novas repetições sozinha. É também uma maneira de deixá-la mais segura e menos ansiosa sobre os acontecimentos do dia.



  • Liderança e cooperação são parte do trabalho em equipe


Hoje, nas empresas, o trabalho em equipe é fundamental. Mesmo em tempos de home office, é preciso saber lidar com seus colegas de trabalho e se beneficiar da cooperação entre diferen


tes profissionais e áreas de conhecimento.


Por isso, a realização de trabalhos em grupo deve ser sempre estimulada, desde os primeiros anos na escola. Essas dinâmicas são fundamentais para que os alunos adquiram segurança e se sintam motivados a compartilharem suas opiniões com os colegas, além de aprenderem a respeitar a vez do outro expor suas opiniões.



A própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já aponta para a necessidade de interação das crianças entre colegas e professores, como forma de criar sua identidade e formar seus valores. Por isso, a escola tem a função de criar oportunidades de interação entre seus alunos, e permitir que eles entrem em contato com outros grupos sociais e culturais.


Já os professores têm um papel fundamental ao estimular as crianças a participarem e verbalizarem suas ideias, para que aos poucos se acostumem com os colegas, confiando mais em su


as habilidades, a ponto de conseguirem se expor para toda a turma sem sentir medo ou angústia.


Esse é também o momento em que alguns alunos demonstram maior habilidade de liderança, vão aprendendo a respeitar o trabalho do colega e entendem que o diferente não é necessariamente errado. Pelo contrário, há muito a se aprender e respeitar nas diferenças.


  • Adeus cantinho da disciplina!


É comum que haja desentendimentos entre os alunos. O conflito faz parte da convivência com outras pessoas, mas o que realmente faz diferença é a forma como ensinam as crianças a lidarem com ele.


O papel


dos professores é incentivar a boa e velha conversa. Até mesmo nos projetos em grupo, citados anteriormente, o diálogo deve ser parte fundamental do processo de ensino-aprendizagem.


Porém, quando a discussão se torna briga, é o momento do professor ensinar sobre consequências. Longe do castigo tradicional, e do tão temido cantinho da disciplina, as escolas buscam ensinar aos alunos a lidarem diretamente com os resultados dos seus atos.


Se uma criança machucar o colega, ela deve aprender que suas ações doem e magoam, e deve se desculpar. A BNCC prevê a aprendizagem do cuidado e solidariedade com colegas e prof


essores para crianças de 11 meses a 3 anos, com a orientação de um adulto. Já a partir dos 4 anos é o momento para que o aluno comece a se imaginar no lugar do outro, e tente entender seus sentimentos, num exercício verdadeiro de empatia.



  • Autonomia e tomada de decisões


Assim como os alunos devem aprender a assumir as consequências de seus atos, é importante incentivar sua autonomia no aprendizado cotidiano. É objetivo das escolas brasileiras estimular seus alunos, principalmente a partir dos 4 anos, a agir de maneira independente, e com confiança nas próprias habilidades, reconhecendo suas conquistas e limitações. Mas para tanto, é preciso criar um ambiente seguro e inspirador.


O espaço da sala de aula, por exemplo, pode ajudar neste desafio. Um ambiente criativo e convidativo


estimula o aprendizado. As leituras também podem ajudar, quando os alunos são incentivados a buscar o significado de palavras novas sem a ajuda de um professor.


Outra estratégia muito adotada é o uso de materiais manipulativos, como massinha de modelar, blocos, cartões, materiais recicláveis, entre outros. Existe um contato direto das crianças com esses materiais e a liberdade para que elas os utilizem da forma que acharem melhor. As


sim, elas também vão descobrindo de maneira natural quais estratégias elas gostam mais, quais formas de estudar são mais eficazes para elas.


A própria BNCC estimula o desenvolvimento das crianças por meio desta variedade de estímulos, incluindo instrumentos musicais, desenhos e brincadeiras. Estimular os cinco sentidos, ao mesmo tempo em que desenvolvem habilidades de escuta, fala, imaginação e pensamento, ajuda na capacidade comunicativa das crianças, e as prepara para novas situações e experiências.



Desde a organização do tempo e da rotina, como a realização de projetos e tarefas que exigem o contato e relacionamento com colegas, e até mesmo na interação com o espaço e diferentes materiais em sala de aula, são todas estratégias que ajudam no desenvolvimento dos alunos.


Quando incorp


oradas ao cotidiano escolar, elas fazem com que as crianças vão aprendendo e desenvolvendo habilidades sociais na convivência com os colegas e professores para, futuramente, se tornarem adultos mais preparados para lidar com o mercado de trabalho e suas adversidades, formando efetivamente novos cidadãos do mundo.





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